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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Texto para Interpretar: Empatia, de Martha Medeiros.


As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas poucos se esforçam para serem empáticas, e algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não nos identificar com alguém, mas nada impede que  entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer e os direitos que ele tem.  
Nada impede?

Desculpe, foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima. Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.
Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, não têm amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que tenha hábitos diferentes dos seus será criticado em vez de aceito é considerado. Os ignorantes têm medo do desconhecido, e o evitam.
E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima de todos e trabalham só para si mesmos, e aí os exemplos se empilham: políticos corruptos, empresários que só visam ao lucros em respeitar a legislação, pessoas que usam sua posição social para conseguir benefícios que deveriam ser conquistados pelos trâmites usuais, sem falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo Facebook, faltar a compromissos sem avisar antes, enfim,  aquelas “coisinhas” que são feitas no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir  prejudicado ou magoado.
É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Só que, para muitos, ser gentil é puxar uma cadeira para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair. Sim, todos gentis, mas colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade. Colocar-se no lugar do outro não é uma gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

1)      O que significa ser empático?
2)      Segundo a crônica, que características de personalidade impedem que uma pessoa desenvolva a empatia?
3)      Observe que o 2.º parágrafo resume-se a uma interrogação: “Nada impede?”.Com relação ao que foi dito anteriormente, que  efeito de sentido tem essa interrogação?
4)      No trecho “Desculpe, foi força de expressão.” (início do 3.ºparágrafo), a que a cronista está se referindo com o termo em destaque e que sentido ele tem?
5)      De acordo com o 4.º parágrafo, quais as consequências da ignorância para as pessoas?
6)      Cite três exemplos de mau-caratismo, segundo a cronista.
7)      No trecho “[...] enfim, aquelas “coisinhas” que são feitas no automático [...]”, no final do 5.º parágrafo, que efeito de  sentido tem o uso, no diminutivo e entre aspas, da palavra destacada?
8)      No último parágrafo, a cronista faz uma crítica negativa às pessoas gentis e que agem com polidez. Sim ou não? Justifique sua resposta.
9)      Transcreva, desse parágrafo final, o trecho em que a cronista valoriza a empatia como uma atitude socialmente mais necessária que a simpatia.
10)   No trecho “Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis [...]”, a quem a cronista está se referindo com os pronomes destacados?
11)   Com relação aos problemas da sociedade em que vivemos, a que conclusão nos leva a cronista em sua crônica?

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